sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ser mãe


Hoje, tive o prazer de ver muitas grávidas num consultório...



Quis ser mãe, eu quis parir, quis por um momento ter aquele barrigão enorme e pontudo que elas tinham...



Meu sonho desde menina era ser mãe... Quando criança brincava de casinha e nessas ocasiões eu adorava ninar minha bonecas, dar banho, fazer comidinhas gostosas e trocar as roupas que elas usavam.


Há uma explicação para isso, já que estou estudando psicologia 6, na minha última aula tive a oportunidade de ver que uma criança na faixa dos seus 7 anos de idade começa a representar e a diferenciar as pessoas que convivem ao seu redor e a reproduzir as mesmas. O engraçado é que meus pais não eram separados, mas eu fazia questão de nas minhas brincadeiras não ter um marido e isso era um fator crucial para desencadear brigas com todas as minhas amigas que fingiam ser casadas no auge dos seus 7 anos.



Não sei na verdade, se esta minha repulsa em ter maridos se deve ao fato de ter visto aos 5 anos de idade minha avó (muitissimo amada por mim) ser maltratada pelo meu avô de uma forma bastante cruel. Lembro-me da cena como se fosse hoje :minha mãe tapando meus ouvidos para que eu não escutasse o que se passava, e enquanto isso, a porta se entreabriu e eu pude ver a cena mais dantesca que já vi até hoje


Lembro-me que aquilo me marcou de tal maneira, que desde então não quis mais ter nenhuma representação masculina que não fosse a do meu pai.



Engraçado isso, minha vontade de ser mãe é imensa e quando vi hoje os pais dos referidos bebês com suas respectivas esposas, tive vontade de ter um homem naquele momento. Um marido, ou namorado, o que quer que seja que dedique amor, carinho e cumplicidade... Mas no fundo, a fingida vontade de seguir sozinha é mais forte, e o sentimento de ser mãe "solteira" me persegue desde da infância.
Minha mãe sempre chamava as bonecas dela de "Janaina" e esta é a verdadeira explicação para meu nome. Os meus pais não queriam saber do sexo do bebê, então foi com enorme surpresa que receberam uma menina que teria o mesmo nome das bonecas da minha mãe. Dá pra acreditar? Meu nome não foi criado em homenagem a Yemanjá, mas sim, em homenagem as bonecas que minha mãe brincava, e honestamente acho essa história linda, todas as vezes que ela conta fico boba a escutar.

Quero ser mãe, mas do meu jeito, sem precisar implorar migalha alguma de amor nem pra mim nem para minha futura Maria. Já decidi, se eu tiver uma filha ela se chamará Maria Flor, ou Maria Rosa, Maria porque era o nome de minha avó, e flor ou rosa porque era o que ela mais gostava de cuidar no jardim que ainda hoje existe na então "pequena" casa.

3 comentários:

Amanda disse...

Jana...
Que post lindo!!!!

Tô arrebatada com o seu blog, sua escrita vem evoluindo litros. Minha linda, parabéns!!

E tô arrebatada com o post.

bailarinajana disse...

amanda.................................. como assim..... vc dizer que minha escrita evoluiu litros.... ai nem acredito,vc é minha referencia de escrita... que presente que vc me deu hoje.. obrigada

Modorra disse...

Perfeccionista como as vezes posso ser, eu trocaria o "l" por "u" no "auge". Mas fora isso achei de todo otimo o texto: sensivel; franco, coerente. Quanto ao desejo Jana; eu acho que ele tal como os raios do céu so conhecem uma direçao: expansao ao infinito ( ou infinito do quanto o corpo aguentar....mas sobre o limite do corpo é outra questao filosofica). Parabéns pelo otimo texto! Bjos!