domingo, 24 de janeiro de 2010

O pecado de nascer gente


Redimensiono-me para ver se consigo enchergar a quinta essência de ruas movimentadas, e amontoadas de bolsas coloridas que insistem em ser minhas.


Quero com isto poder ser eu mesma e me comunicar com aquele homenzinho que acabo de seguir para mais na frente colocar a mão no bolso para e disfarçar.


Olha lá, uma mulher cega quer atravessar a rua.

- Quer ajuda senhora?

- Gravando.....


E bem de leve cai uma chuva fininha para tirar-me a culpa de ter nascido gente.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eu tenho um pedaço de sol que guardo comigo desde menina


Eu tenho um pedaço de sol que guardo comigo desde menina. Um dia cresci e ele cresceu um pouquinho depois de mim, Deus disse que era para ser assim, eu tinha que amadurecer para não cegar com aquela luz tão intensa.


Lembro-me do dia que ele surgiu todinho pra mim, parecia uma borboleta amarela e eu encantada não parava de acompanhar com o olhar atento a cada movimento. O sol dançava, dançava, dançava tanto que por um momento ele parou embaixo de uma árvore para descansar, era noite e aquele brilho, aquele amarelo me deixava cada vez mais envolvida, até que me deixei levar e quando vi estava eu embaixo daquela árvore a perguntar ao sol se ele havia se cansado.


Ele simplesmente aproximou-se de mim, tomou-me pelos braços e beijou-me carinhosamente. Misturei-me naquele amarelo ouro e ali mesmo, me casei com o sol.


Eu sou a mulher do sol!

domingo, 11 de outubro de 2009

A borboleta

A lua de São Jõao minino que ontem era de ouro, hoje se fez de prata. Era de prata azulada, mas tão azulada que nem parecia de prata de tão azulada que era. E no meio dela, bem lá no meio dela tinha um pontinho que se chamava solidão, de tão sozinho que era. E do outro lado da luz, aquele lado que é mais claro, claro como o dia, tinha um outro pontinho, mas bem pontinho que se chamava saudade. Entre os dois, solidão e saudade, tinha uma cerca, beeeeemmmm grande, mais bem grande mesmo. Assim bem grannnnndeee de mais maior de grande mermo. Mas tão grande que atravessava a lua inteirinha. Assim, como um laço que se coloca nos pescoços das mininas bunitas, prás elas ficarem mais bunitas. Pois é. A lua tinha um laço desses, mais assim sabe! No meio da cabeça, separando o lado cor de escuro do lado cor de claro, bem certinho. Mas tão certinho, que até parecia desenhado com o lapis do desenho do sonhar e da imaginação. Aí, quando foi um dia, veiioooo uma borboleta, beeeemmmm bunita, olhou prum lado, olhou pru outro lado, deu uma cabalhota, dessas que parecia salto solto. Sim. Porque borboleta sabe dar salto solto. Deu um rabo de arraia, desses que se dá na capoeira, e aí deu uma rasteira, mas tão rasteira, tão rasteira que levantou os dois pontinhos. Dos dois lados da lua visse? E aí, e aí. quando eu olhei prá ciiiima, commmm os meus super oculos que tudo vê, feitos pela super fazedora de oculos que tudo vÊ, eu ví, bem piquinininho. .. o pontinho, que era um grão de areia, e do outro lado acredita só, não era um pontinho, mas uma estrela. E aí, e aíííííííi´, pensa, pensa só o que aconteceu, mas pensa mermo, com a cabeça do pensar, visse? Pois foi assim que a historia começou. Pois foi desse jeitinho mermo. Vou contar de novo.... A lua de São Jõao que ontem era de ouro, hoje se fez de prata... E no meio dela, bem lá no meio dela tinha um pontinho que se chamava solidão... Boa noite, vou mimi visse que tô sadinho Para todas as crianças que ainda são um pontinho lá no lado claro e no lado escuro da lua.



RaimundoBranco


(uma das coisas mais bonitas que li)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Astronauta


Fui comer em uma padaria...

Encontrei um senhor...

Sentou-se comigo...

Vestia roupa de astronauta...


Fui comer em uma padaria...

Quieta abocanhava meu bolo de milho...

Chega o astronauta...

Pedindo um suco de graviola...


Fui comer pastel

- um Jimi Hendrix por favor!

Chega o astronauta

Pedindo um de charque...


Fui dançar

E o astronauta, foi para lua.





Quantic Tarantino

Acaba o espetáculo,
pausa para lavar o rosto e se recompor,
logo ali pertinho encontra-se um homem usando uma capa preta e óculos escuros,
não é o neo do matrix,
é um objeto ainda não identificado.

Aproveitando um momento de distração
este objeto não identificado,
me leva em seu cavalo preto,
a 200 por hora,
fomos comer sushi e adentramos em um bar freqüentado pela máfia chinesa.
O sushi servido era de carne humana e o enfeite do prato principal era dentes de tubarão acompanhado por uma bebida facilmente identificável (cerveja).
Depois de comer aquela mistura que causava tontura e deixava os dentes vermelho sangue,
nos lançamos um ao encontro do outro,
como mágica fomos parar no andar de um prédio mal assombrado,
com o teto baixo e alguns corpos pendurados sobre a parede,

a fricção aconteceu,
sem olhos nos olhos,
sem nenhuma poesia a ser dita ou escutada.
E assim aos poucos eu identificava este objeto.
Passou-se sete dias, sete meses, sete anos, sete casas, sete sentidos,
(além dos 5 existentes os outros dois eram segredos secretos, que só me couberam saber).
Pronto estava resolvido,
a imagem deste objeto era feia,
nojenta,
com um aspecto de mendigo.
Ele se aproximou de mim, doente, pedindo ajuda. E eu?
Eu o matei com um celular e um e-mail...
Ao ver, ele desintegrou-se, evaporou,
deixando o ar mais limpo,
a leveza voltou a ser insustentável e o sol saiu vermelho-rosa,
gritando de felicidade ao ver o objeto jogado logo ali no chão...

Be- experimento quântico n 4

http://quanticbe.blogspot.com/

Bruxinha de Blair

Carrego comigo uma vassoura, ela se encontra pronta para limpar a areia salgada da praia. Vejo distante, senhorzinhos vestidos de branco e azul, tomando em um cálice, champanhe acompanhado de caviar e rapadura. Senhorinhas de vermelho correm loucas pelas areias brancas, descabeladas, sem classe alguma, maquiagens borradas, saltos quebrados e tudo o que existe de deselegante estava presente naquela vermelhidão toda.

Em um palco vejo uma mulher diferente de todas as outras que ali se encontravam. Cabelos longos carregava uma taça de vinho na mão, usava óculos de grau, calça jeans e uma bata branca estava rodeada por um circulo que não identifico ao certo o que era mas me parecia uma espécie de bruxaria, jogava vinho no chão e olhava para mim dizendo:
- Você sabe muito bem o que é isso!!!!! É para você.
Fiquei a olhar por um tempo toda aquela cena, mas as senhorinhas de vermelho estavam loucas, e me empurravam em direção ao mar, fazendo cosquinhas em minha barriga, e eu chorava em ver aquelas caras enrugadas e borradas perto de mim, a me tocar com as mãos sujas de areia.

Eu estava de camisola branca e não queria me sujar, estava pronta para dormir, era dia, mas já estava na hora de voltar ao meu sono profundo. Fui sugada pelo mar, e depois disso lembro-me apenas de quando me acordei, em uma cama branca sem as partes intimas, estava suja de sangue, meus olhos borrados de tanto chorar, logo mais abaixo um ovo gigante que eu acabara de parir criado por um bode, estava entre minhas pernas. Eu e um ovo dentro de um quarto todo branco.



Be- experimento quântico n 4
http://www.quanticbe.blogspot.com/

domingo, 2 de agosto de 2009

A menina lua


A menina lua está logo ali, vem me buscar menina, estou te esperando no cais.
Quero me refugiar, além de querer companhia.

Eu não tinha o costume de aprecia-te e de repente te descubro enorme, cheia, nova, minguante, crescente e linda
Olha só isso!
um barco passa pelo teu rastro, é uma cena tão bonita e lá do outro lado o mar bate nas pedras, forte, produzindo música.

Pura poesia
Linda poesia
A correnteza do rio vai levando minha sujeira, meu rancor, minha tristeza.
Ela leva para bem longe, para um lugar onde são guardadas todas as dores de amor.

E você linda sorrindo pra mim, me iluminando e me fazendo companhia.

Pescador gosta da lua
Será que voces são apaixonados?
Será que a lua tem medo de se entregar?



(texto construido em 22/02/08 no marco zero "Recife", olhando a lua cheia daquele dia, exatamente hoje recuperei o caderno em que havia escrito. Bom reler textos feitos no passado, bom ver quanta coisa mudou de ontem para hoje).

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sem resposta...


corro perigo
parece que não escovei os dentes, não tomei banho, não me vesti...
falta alguma coisa no meu dia quando não te vejo...
e escondo para ninguém saber
nem voce
desse vazio
orgulho igual o teu
talvez medo...
personagem que chega
e esconde na enchurrada de palavras sem sentido
o medo do ridiculo que é estar apaixonada....


talvez voce comece a rir muito de tudo isso
ou se sinta comovido
ou até me ache ridiculamente escancarada pra voce
mas, chega de brincar de esconde esconde
chega de achar o que voce vai achar
eu sou isso ai
eu sou essa ai
chega de agir com dureza
só machuca
só faz doer...


tenho por ti uma paixão acrisolada
é forte
é intensa
e bonita....

jana

domingo, 3 de maio de 2009

Qual o limite de um corpo?


O meu corpo...

Parou...

Não resisti e chorei uma tarde inteira...

Meu limite foi alcançado, vi minhas forças se perderem e o caos se instalar aqui dentro de mim, como alguém que abre a porta sem bater...

Um amigo apareceu, me viu chorando desesperada no meio de um jardim, grudou uma folhinha em meu peito e disse que tudo iria ficar bem. Depois disso, me fez uma mágica com um lenço vermelho bem velhinho, que foi a causa de um riso tímido em um curto espaço de tempo...

Voltei...

a professora me chama e diz:

- Jana minha flor sua média é 7, isso não combina com você, vou lhe dar um 8.

Lágrimas saíram, sem nenhum pudor dos meus olhos...

Saí, fui para o lago...

Tinha outro amigo no meio do caminho, no meio do caminho tinha outro amigo...

Sentamos...

e ele disse:

- O que pode um corpo Jana?

- Não sei.

Foi o que respondi.

Saímos bifurcando os caminhos, eu para um lado e ele para outro...

Naquele momento eu estava indo ao encontro de um alguém pelo qual tenho muita admiração...

Tomamos umas e outras e enquanto isso meu corpo se distraía, amolecia, ia perdendo as tensões que carregou por um dia inteiro...

Eu no meu gostar escondido, revelei uma cáscata de coisas que já haviam sido reveladas...


Ops, estava me repetindo...

Fomos guiados pelo vento até um lugarzinho bem pequeno, aquele que quando estou torna-se nosso...

Dormimos ali, cada um na sua individualidade, dois estranhos dormiam um ao lado do outro e assim passou-se a madrugada...

Vi o sol nascer, estava bonito. A luz batia em meu rosto, me imaginei tão bonita naquele momento.

O meu estranho conhecido acordou também, mas o cansaço era tanto que o corpo pedia mais um tempinho de pausa para realmente acordar...

Dormimos mais um pouco...

De repente o despertador tocou...

Não dei muita importância e voltei a dormir, ainda estava me reestabelecendo do limite...

Me acordo com o meu admirável estranho a olhar para mim e a dizer:

- Preciso ir.

Seco, direto...

Me levantei num ímpeto e comecei a colocar minhas roupas...

O estranho levantou-se e foi tomar seu banho e desta vez não me permitiu tomar o meu...

Saímos apressados, ele tinha um compromisso. Ainda escutei um pedido de desculpas pela pressa, meio sem importância já que naquele momento me sentia muito mal e suja...

Fiquei à espera de um ônibus...

Cheguei em casa com cara de choro...

O telefone tocou...

E mais um pedido de desculpas soou em meus ouvidos...

Fiquei ali, parada por um momento...

Pensando que meu corpo não aguenta mais...

O meu corpo já alcançou o limite...

sábado, 21 de março de 2009

vermelho


Escuto exatamente aquilo que quero.

E esse fato me faz sentir as coisas de uma forma mais bonita, embora seja ilusão e não exista no plano da realidade.

O que existe é sem cor. Transformo, contorno em tons de vermelho que remetem a paixão, a vida que insiste em estar comigo.

Quero a outra vida. Aquela que seja vermelha e pulsante como o sangue, sem que eu precise transformar ou contornar, que eu não veja, nem ouça, nem sinta as coisas como eu imagino, que elas existam, que a sinceridade exista.

Espero um dia por os pés no chão da realidade.

Espero acreditar nas pessoas certas e no tempo certo. Que eu não precise colorir de vermelho paixão, a vida. Que ela me venha ao menos em tons de laranja ou amarelo.

Que o medo de enfrentar os tons escuros desapareça, que eu consiga encara-los de frente, peitando e mostrando o que eu verdadeiramente sou e que com isso se faça a luz.